Na movimentação industrial de cargas, a escolha do dispositivo de elevação vai muito além do…

Plano de inspeção conforme ASME B30.20 para dispositivos de elevação
A segurança na movimentação de cargas não depende apenas de um bom projeto ou da escolha correta do equipamento. Ela depende, principalmente, de um plano de inspeção estruturado e executado de forma consistente.
A norma ASME B30.20 estabelece requisitos claros para inspeção de dispositivos abaixo do gancho, determinando frequência, critérios de aceitação e responsabilidades.
Neste artigo, você vai entender:
- Quais são os tipos de inspeção exigidos
- Como estruturar um plano eficaz
- O que deve ser verificado
- E como garantir conformidade normativa na prática
O que é a ASME B30.20?
A ASME B30.20 é a norma que regulamenta dispositivos utilizados abaixo do gancho de pontes rolantes, talhas e sistemas de içamento.
Ela cobre equipamentos como:
- Balancins
- Ganchos C
- Tenazes
- Spreaders
- Dispositivos especiais de elevação
A norma define requisitos para:
- Projeto
- Marcação
- Testes
- Operação
- Manutenção
- Inspeção
E é justamente na inspeção que muitas empresas falham.
Tipos de inspeção exigidos pela ASME B30.20
A norma estabelece três níveis principais de inspeção:
1- Inspeção Inicial
Realizada:
- Antes da primeira utilização
- Após modificações estruturais
- Após reparos significativos
Objetivo: garantir que o equipamento esteja em conformidade antes de entrar (ou retornar) em operação.
2 – Inspeção Frequente
Deve ser realizada:
- Diariamente ou mensalmente
- Conforme a severidade de uso
Indicada para identificar:
- Trincas visíveis
- Deformações
- Corrosão
- Desgaste excessivo
- Componentes soltos
- Marcação ilegível
É uma inspeção predominantemente visual e funcional.
3 – Inspeção Periódica
Realizada em intervalos definidos conforme:
- Frequência de uso
- Classe de serviço
- Ambiente operacional
Pode envolver:
- Medições dimensionais
- Avaliação de desgaste
- Verificação de soldas
- Ensaios não destrutivos (quando aplicável)
Essa inspeção deve ser documentada formalmente.
Como estruturar um plano de inspeção eficiente
Um plano eficaz deve conter:
1. Identificação completa do equipamento
- Modelo
- Número de série
- Capacidade nominal
- Data de fabricação
- Local de operação
2. Classificação de uso
Com base em:
- Frequência de operação
- Tipo de carga
- Ambiente (poeira, calor, umidade, agentes corrosivos)
Isso influencia diretamente a periodicidade da inspeção.
3. Checklist técnico estruturado
O checklist deve incluir verificação de:
- Estrutura principal
- Soldas
- Pontos de pega
- Abertura de ganchos
- Dispositivos de trava
- Deformações permanentes
- Corrosão
- Identificação e placas de carga
4. Critérios claros de rejeição
O plano deve definir:
- Limite máximo de abertura de gancho
- Percentual aceitável de desgaste
- Nível tolerável de corrosão
- Condições que exigem retirada imediata de serviço
Sem critérios objetivos, a inspeção vira subjetiva — e isso aumenta o risco.
5. Registro e rastreabilidade
A ASME exige que inspeções periódicas sejam documentadas.
O registro deve conter:
- Data
- Responsável técnico
- Itens avaliados
- Condição encontrada
- Ações corretivas realizadas
Isso garante:
- Segurança jurídica
- Histórico do equipamento
- Base para decisão de manutenção ou descarte
Erros comuns na implementação do plano
Muitas empresas cometem falhas como:
- Não definir periodicidade clara
- Usar apenas inspeção visual
- Não registrar inspeções
- Manter equipamentos sem identificação legível
- Ignorar deformações pequenas (que evoluem com o tempo)
Pequenas falhas estruturais podem evoluir para falhas críticas por fadiga.
Quando a recertificação é necessária?
A recertificação pode ser exigida quando houver:
- Alterações estruturais
- Reparos significativos
- Substituição de componentes críticos
- Dúvida sobre integridade estrutural
Nesses casos, pode ser necessário:
- Novo teste de carga
- Revisão de cálculo estrutural
- Atualização da documentação técnica
Benefícios de um plano bem estruturado
Implementar corretamente um plano conforme a ASME B30.20 proporciona:
✔ Redução de acidentes
✔ Maior vida útil do equipamento
✔ Menor risco de paralisação inesperada
✔ Conformidade em auditorias
✔ Proteção jurídica para a empresa
Mais do que atender norma, trata-se de gestão de risco operacional.
Veja também:
Projeto sob medida x dispositivo padrão: qual a melhor escolha para sua operação?
Talha elétrica de cabo de aço: quando escolher, aplicações e diferenciais técnicos
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Considerações finais
Um dispositivo de elevação seguro começa no projeto, mas sua segurança real é mantida por meio de um plano de inspeção disciplinado e documentado.
A ASME B30.20 não trata inspeção como formalidade — trata como parte essencial do ciclo de vida do equipamento.
Ignorar esse processo é comprometer a integridade estrutural, a segurança das pessoas e a continuidade da operação.
Sua empresa já possui um plano estruturado conforme a ASME B30.20?
A equipe técnica da Max-Crane pode orientar na análise do seu processo de inspeção e auxiliar na adequação normativa dos seus dispositivos.
Entre em contato: (11) 2434-5859.

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